Avaliação em Educação Física Adaptada

banner_post_cientifico

O tema “Avaliação”, em geral, tem sido objeto de várias investigações na Educação Física. Esta tendência esta relacionada à necessidade de avançar nas reflexões acadêmicas que permeiam o tema em estudo. A Educação Física Adaptada também sugestiona no campo “Avaliação”, e, portanto, também é de grande relevância buscar o aprofundamento dos temas que contribuem na compreensão dos fatos em estudo.

Avaliação poderia ser definida em um livro educacional como coleta e interpretação de informação relevante sobre um individuo para ajudar a tomar decisões válidas, confiáveis e não discriminatórias. Os primeiros passos são medir e avaliar. Para avaliar a capacidade de movimento de uma criança, a medida pode se estender do teste formal à observação informal da criança em seu ambiente natural.

A avaliação é a interpretação daquelas medidas em termos de adequação – o quanto ela se desempenha bem de acordo com as normas de testes avaliáveis ou os comportamentos objetivos desenvolvidos para aquele determinado individuo, classe ou unidade instrutiva (Gallahue e Ozmun, 2001). A avaliação baseada em normas de testes resulta no relatório de um padrão de pontuação tal como uma porcentagem, enquanto que a avaliação baseada em condutas objetivas dá ao avaliador uma indicação do grau de perícia ou imperícia.

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos professores de Educação Física Adaptada (EFA) é a diversidade terminológica usada entre muitos instrumentos de avaliação presente nos estudos com origem nas diferentes escolas superiores, pelos grupos de estudo de pesquisas e pelos editores. Isto constituiu um desafio difícil de superar, sendo necessário optar por uma terminologia capaz de melhor enquadrar os fatores de uma intenção de estudos em particular.

Na realidade, cada termo representa as dificuldades experimentadas pelas crianças com dificuldades de movimento. Procurou-se mostrar nesse artigo, as terminologias utilizadas nos testes ressaltando sua organização em uma lista de descrições utilizadas com freqüência e de acordo com o interesse revelado em cada temática, em artigos e publicações do mundo todo.

No quando 1 fizemos um levantamento de diversos instrumentos com seus respectivos termos utilizados por diferentes autores.

Burton e Rodgerson (2001) identificaram pelo menos quatro problemas com a visão dominante relacionada à avaliação em EFA, indicando a necessidade de discussão destas e um esclarecimento ou talvez de uma reconceitualização destas elaborações.

Os quatro pontos estabelecidos para nossas reflexões são:

(a) Analise de dados questionáveis e interpretação da pesquisa que validam ou que invalidam os conceitos de habilidades de movimento, habilidades motoras e habilidades motoras gerais;
(b) Uso inconsistente dos termos e dos conceitos em instrumentos de avaliação;
(c) O uso comum dos instrumentos de avaliação na EFA que confiam no conceito de habilidades motoras gerais, apesar da visão dominante que não reconhece tal conceito e.
(d) Uma falta de reconhecimento da pesquisa que documenta o aumento da especificidade das habilidades do movimento com a crescente idade durante a infância.

Quadro 1. Métodos para identificação e avaliação.

Instrumento Autores Idade Termos Avaliação
Teste de Proficiência Motora de Bruininks-Oseretsky – BOTMP Bruininks 1978 4,5 a 14,5 anos Proficiência motora
Desenvolvimento Motor
Habilidade Motora
– aspectos importantes do desenvolvimento motor
Teste de Desenvolvimento Motor total – TGMD Ulrich 1985 3 a 10 anos Habilidade motora geral Desenvolvimento Motor total – avalia o funcionamento motor total
Escalas de Desenvolvimento motor de Peabody – PDMS Folio e Fewell 2000 2a.ed Nascimento há 6,9 anos Habilidades motoras de interrelacionamento – avalia o desenvolvimento motor refinado e o desenvolvimento motor rudimentar de crianças
Teste Movement Assessment Battery for Children – M-ABC Henderson e Sugden 1992 4 a 12 anos Competência motora
Dificuldades motoras
Impedimento motor
– identifica crianças com dificuldades motoras
Teste Korperkoordination test fur Kinder – KTK Kiphard e Schiling 1974 4,5 a 14,5 anos Desenvolvimento motor
Coordenação motora geral
– identificar e diagnosticar problemas de desenvolvimento motor e de coordenação motora global.
Basic Gross Motor Assessment -BGMA Hughes e Riley1981 5,5 a 12,5 anos Habilidade Motora
Habilidade de Movimento fundamental Habilidade de Movimentos
Teste de Integração Sensorial da Califórnia do Sul Ayres 1972 4,5 a 8 anos Dificuldades motoras e perceptuais dificuldades motoras e perceptuais em crianças que tem desordens de aprendizado e comportamento
Teste de habilidades de crianças e jovens Griffiths 1970 Nascimento até 8 anos Habilidades motoras Locomotora Coordenação olho-mão Performance Avalia escala locomotora, escala de fala, escala de audição e fala, de coordenação olho-mão e testes de performance

Fontes: (Sugden e Wrigth 1998; Burton e Miller 1998 e Burton e Rogderson, 2001).

A avaliação motora em crianças e adolescentes portadores de deficiência mental é necessária para a intervenção de qualidade, porém se faz necessário identificar claramente os critérios que o instrumento oferece. Zittel (2001) cita alguns aspectos chave para selecionar um instrumento de avaliação motora, descritos no quadro 2, são eles: proposta, adequação técnica do instrumento, fatores não discriminatórios, facilidade de administração, ligação instrutiva e validade ecológica.

A seleção de um instrumento de avaliação deve ser precedida de uma compreensão sobre o porque da criança estar sendo testada e como as medidas serão utilizadas. A avaliação da habilidade motora total é primeiramente completada para a proposta de triagem, diagnostico e prescrição.

Quadro 2. Aspectos chave para selecionar um instrumento de avaliação motora total.

Critério Características da seleção
Proposta O instrumento selecionado para a proposta, fornecerá medidas para identificar a presença ou ausência da habilidade motora;Tipo de referência(norma ou critério)
Adequação Técnica do Instrumento Padronização Validade Confiabilidade
Fatores não discriminatórios Adaptar a situação,equipamento e linguagem; O teste deve ser sensível adversidade cultural e étnica.
Facilidade de administração Facilidade de administração do teste;Planilha fácil de ler e marcar; Tempo de execução do teste; Local de aplicação.
Ligação instrutiva Fornecimento da informação instrutiva;Reduzir a quantidade de inferência
Validade Ecológica Coleta de dados em ambientes confortáveis Familiarização com os materiais do testes

Fonte: Zittel, L.L. (1994).

A avaliação é um processo complexo e os dados obtidos através dela são utilizados para se tornarem decisões importantes sobre os indivíduos. Podem ocorrer muitos problemas no processo de avaliação dos alunos e, quando há efeitos negativos, os alunos e suas oportunidades na vida podem ser afetados de maneira adversa. Presume-se que o avaliador seja capacitado para aplicar o teste, que o erro sempre está presente, que os alunos avaliados são semelhantes àqueles com quem são comparados, que a amostragem de comportamento atual é observado. Na medida em que tais pressupostos não são satisfeitos ou reconhecidos, a avaliação é
invalidade.

Referências Bibliográficas
GALLAHUE,D e OZMUN, J.C. Compreendendo o Desenvolvimento Motor: Bebês, Crianças, Adolescentes e Adultos. 1a. Edição Brasileira (tradução Maria Aparecida da silva Pereira Araújo). São Paulo: Phorte Editora, 2001.
ZITTEL, L.L. Gross Motor Assessment of Preschool Children with special Needs:
Instrument Selection considerations. Adapted Physical Activity Quarterly, 11, Human Kinetics, 1994 p. 245-260.
BURTON,A.W. e RODGERSON,R.W. New Perspectives on the assessment of movement skills and motor abilities. Adapted Physical Activity Quarterly, 18, Human Kinetics, 2001 p. 347-365.
BURTON,A.W. e MILLER,H.C. Movement Skill Assessment. Champaign: Human Kinetics, 1998
SUGDEN .D.A. & WRIGHT, H.C. Motor coordination disorders in children. SAGE Publications, London – new Delhi, 1998.

Autores:
José Irineu Gorla
Professor da Universidade Paranaense; Mestre em Educação Física pela UNICAMP; Doutorando em Educação Física pela UNICAMP; Sócio efetivo da Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada – Email

Paulo Ferreira de Araújo
Professor da Universidade Estadual de Campinas; Doutor em Educação Física; Sócio fundador da Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada – Email

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *